No último ano cheguei à conclusão de qual é o sentido da vida, a fórmula da felicidade, o segredo fundamental de toda a existência humana: fazer tudo aquilo que se fazia quando criança, e/ou o que se desejava fazer.
Durante muito tempo tive o desejo reprimido de fazer roupas — por algum motivo que desconfio ser a minha tchonguisse, nunca encarei isso como uma possibilidade real. Sempre pareceu extremamente irreal a ideia de conseguir transformar um pedaço de tecido numa coisa vestível e por isso acho que nunca me permiti sequer tentar aprender.
Depois de um tempo esses impedimentos mentais infantis se transformam em outras coisas e creio que pelo amadurecimento percebi que eu merecia ao menos tentar, e voilá, cá estamos. Isso cobre a parte do que a pequena eu desejava realizar.
Agora, à segunda parte da equação: o que era de fato feito. Claro que eu era uma criança que como todas as outra fazia muitas coisas, mas uma das que foram abandonadas à medida que cresci foi a escrita. Durante a adolescência eu escrevi muitas e muitas histórias, que eu fazia me inspirando em letras de músicas, para os meus pets virtuais no site neopets.com (espaço internetico que tomou alguns full meses de minha vida com absoluta certeza). Adoraria ter esses textos como memória pra mim mesma, mas o fato é que isso se tornou algo na época que elevava minha autoestima – o povo do site gostava e eu ficava me achando -, mas que foi completamente abandonado quando fui crescendo, entrei na faculdade e fui deixando o site de lado.
Tudo isso pra dizer que talvez esse espaço seja sim uma homenagem a quem eu era quando criança. Um espaço pra que a criança possa seguir escrevendo, costurando e fazendo o que quer que seja que ela queira.




